Bióloga, mestre e doutora em Bioquímica pelo Instituto de Química da UFRJ. Atua como administradora do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), desde 2022. À frente da gestão do espaço que abriga a Expointer — o maior evento agropecuário a céu aberto da América Latina — ela lidera uma equipe que trabalha o ano inteiro para garantir a estrutura, a inovação e o espírito de superação que marcam cada edição da feira. Com uma trajetória marcada por resiliência e capacidade de articulação, Beth enfrentou desafios como pandemia, mudanças de governo e uma enchente histórica em 2024.
A 48ª Expointer se aproxima. O que o público pode esperar desta edição?
Como sempre, o público pode esperar coisa boa. Trabalhamos o ano inteiro para que cada edição supere a anterior, tanto em estrutura quanto em conteúdo. Nossa missão vai além da feira: é garantir que o Parque Assis Brasil esteja cada vez mais preparado para receber um evento da grandiosidade da Expointer, que é o maior do agronegócio a céu aberto da América Latina. Isso exige uma dedicação constante.
O tema deste ano é “Nosso Futuro tem Raízes Fortes”. O que essa mensagem representa para a feira?
Essa frase sintetiza o espírito da Expointer: olhar para o futuro sem esquecer quem somos. Estamos sempre evoluindo — em genética, desempenho, produção, inovação —, mas com os pés firmes nas raízes do campo, da tradição, da nossa cultura agropecuária. A feira reflete isso. As provas de desempenho morfológico e funcional de animais, o Freio de Ouro, as competições de gado leiteiro, os ovinos, os cavalos em baliza — tudo isso mostra a busca contínua dos produtores por excelência. Além disso, o Rio Grande do Sul tem um papel central no desenvolvimento genético de rebanhos e na produção de máquinas e equipamentos agrícolas, mesmo que o maior volume de produção agropecuária esteja hoje no centro-norte do Brasil. A base tecnológica e genética segue aqui.
Quais os principais desafios que você enfrentou ao assumir a gestão do parque em 2022?
Em 2022, assumi a gestão a apenas 45 dias do início da Expointer — e saímos de um período duríssimo de pandemia, com dois anos sem público pleno. Além de conhecer o parque, precisei rapidamente criar sintonia com diferentes equipes do governo, como a Central de Licitações, Obras e o próprio Gabinete do Governador. Foi um desafio imenso de integração e articulação. E, apesar de tudo isso, fizemos a maior Expointer da história, quebrando recordes em todos os indicadores. Foi um divisor de águas para mim como gestora.
E como foi conduzir a Expointer nos anos seguintes, especialmente diante de mudanças políticas?
Em 2023, mesmo com mais experiência, enfrentei um novo desafio: mudança de governo e troca de diretoria. É um recomeço em termos de alinhamento. Cada secretário tem seu estilo, suas prioridades, e isso exige uma adaptação constante. Por mais que a equipe estrutural do parque permaneça, os cargos diretivos mudam — e com eles, a dinâmica.
Em 2024, o desafio foi ainda mais dramático com a enchente. Como foi lidar com isso?
Foi uma experiência extrema. O parque ficou quase dois meses debaixo d’água, e mais uma vez tivemos apenas 45 dias para decidir e executar. Mas havia um desejo coletivo de fazer a Expointer acontecer — e esse espírito uniu todos os parceiros. A feira, naquele momento, era fundamental para virar a chave da tragédia para a reconstrução. Precisávamos deixar para trás a lama e retomar os negócios. A Expointer era, literalmente, o palco para isso.
E olhando agora para 2025, quais são os desafios que se impõem?
Este ano, mais uma vez temos um novo secretário da Agricultura, o que significa novas visões e prioridades. A cada edição, o evento precisa se adaptar não só às diretrizes da gestão pública, mas também às pautas emergentes do setor agro. Já enfrentamos pautas sanitárias como pandemia, gripe aviária e Newcastle. Em 2025, o grande debate gira em torno da securitização rural. A Expointer precisa ser palco não só da vitrine tecnológica e genética, mas também de discussões cruciais para o futuro do campo.
Depois de tantas provações, o que te move a seguir na missão de liderar esse evento?
É um sentimento de pertencimento e de propósito. Cada edição tem sua marca, seus percalços e suas conquistas. Mas o que permanece é essa certeza de que a Expointer é essencial para o agro, para o Rio Grande do Sul e para o Brasil. O desafio nos move — e nos transforma.




